São João da Cruz

"Se  a alma procura a Deus,

muito mais a procura o seu Amado".

                                                    (S. João da Cruz)

Cristo desenhado por S. João da Cruz

João da Cruz é considerado, ao lado de Santa Teresa de Jesus, o Pai do Carmelo Descalço.

Sua verdadeira imagem foi bastante deformada ao longo dos séculos, porque seus primeiros biógrafos o apresentaram como um homem austero, penitente, o “Doutor do Nada”. Tudo muito distante do verdadeiro João da Cruz, homem doce, terno, extremamente humano, apaixonado por Deus e desejoso de levar todos aqueles que entram em contato com ele à verdadeira união com Deus, vocação primeira e última de todo homem. União com Deus que se dá através das purificações ou “noites”, que são os nossos sofrimentos do dia a dia. João da Cruz nos diz que essas “noites” são fruto do amor apaixonado de Deus que nos quer semelhante a Si.

Nasceu em Fontiveros (Espanha) em 1542. Órfão de pai quando ainda criança, viveu com a mãe e o irmão, uma vida de extrema pobreza, mas de muito amor entre eles.

Em 1563 ingressa no Convento dos Carmelitas de Medina Del Campo, assumindo o nome de João de São Matias. Em 1567 é ordenado sacerdote.

Nesse mesmo ano tem um encontro providencial com Santa Teresa de Jesus no Carmelo de Medina del Campo. Teresa estava começando a expandir sua obra reformadora e já tinha licença do Geral da Ordem para fundar dois conventos de Frades. Estava à procura da pessoa ideal para isso. O resultado do encontro é que Teresa conquista-o para dar início ao Carmelo Descalço masculino, apesar dele já estar resolvido a ir para a Cartuxa, uma vez que sentia desejo de uma vida de maior solidão e intimidade com Deus.

No Carmelo Descalço assume o nome de João da Cruz. Foi o único frade formado diretamente por Santa Teresa e o que mais esteve imbuído do verdadeiro espírito teresiano.

Faleceu em Úbeda na noite de 13 de dezembro de 1591.

Poeta, pastor, místico, ele é antes de tudo uma testemunha do impacto de Deus em sua vida. Ele se arriscou a render-se, por isso pode falar com autoridade de quem já percorreu o caminho. Ele proclama um Deus que tem ânsias de nos encontrar, de transformar-nos e satisfazer nossas necessidades mais profundas e, sobretudo de nos amar.